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Folclore |
O termo
folclore
foi
criado
em 1846
pelo
arqueólogo
inglês
William
John
Thomas,
para
substituir
"antigüidades
populares"
derivado
do latim
"antiquitates
vulgares".
Os
componentes
culturais
do
folclore
catarinense
tornam
Santa
Catarina
o Estado
de
folclore
mais
diversificado
do
Brasil.
O
município
de
Penha,
com sua
origem
de
colonização
açoriana
e a
miscigenação
entre os
colonos,
negros e
índios,
absorveu
muitos
do
personagens
mitológicos,
festas e
folguedos
adaptados
da
cultura
e
folclore
de suas
origens.
PERSONAGENS
MITOLÓGICAS
Boitatá - Gênio protetor dos
campos.
Aparece
sob
forma de
enorme
serpente
de fogo,
que mata
quem
destrói
os
campos.
Caipora
-
Segundo
a
mitologia
tupi,
uma
personagem
das
florestas,
com a
propriedade
de
atrapalhar
os
negócios
de quem
a vê.
Quando
um
projeto
sai
errado,
se diz
que seu
autor
viu o
caipora,
ou
caapora.
Descreve-se
o
caipora
como um
indiozinho
de pele
escura.
Lobisomem
- Homem
aparentemente
comum,
vive e
trabalha
como os
demais
da
comunidade,
mas nas
noites
de lua
cheia se
transforma
em um
lobo, ou
em um
homem
com
cabeça
de lobo.
O
lobisomem
mata que
cruza o
seu
caminho,
readquirindo
a forma
humana
antes de
o dia
clarear.
Mula-sem-cabeça
-
Personagem
monstruosa
em que
se
transforma
a mulher
após
morrer e
que
mantinha
relações
sexuais
com
padre ou
compadre.
Acredita-se
que a
metamorfose
se dá
nas
noites
de
sexta-feira,
quando o
galope
da
mula-sem-cabeça
assombra
as
pessoas
da
comunidade.
Cuca - A
velha
feia,
influenciada
pela
bruxa de
origem
européia,
que
ameaça
crianças
desobedientes,
em
especial
aquelas
que não
querem
dormir a
noite.
FESTAS
As
festas
populares,
ou
folclóricas,
costumam
ter como
base o
calendário
religioso.
E são
comuns
manifestações
de
sincretismo
afro-cristão,
que
fundem
os
orixás
do
candomblé
com os
santos
católicos.
Às vezes
as
festas
coincidem
com o
calendário
laico,
civil.
Entre as
difundidas
e que em
alguma
época
ocorreram
com
freqüência
ou
continuam
a
ocorrer
no
Município
de Penha
estão:
Festa de
Nossa
Senhora
do
Rosário
,
Moçambique
ou Natal
dos
Pretos -
Festa
que
realizava-se
na Penha
na noite
de 25 de
dezembro
e
durante
o dia
26.
Reverenciado
como dia
do
nascimento
de Jesus
Cristo,
o Natal
representa
a
chegada
do
Salvador.
É a
visão
oficial,
porquanto
que o
Natal
dos
Pretos
articula
outros
conflitos,
ainda
que
festejado
dentro
da mesma
Igreja
Católica.
Este se
enquadrava
em
lendas,
procissões,
promessas
a
Santos,
devoções
e
envolvia
toda uma
estrutura
simbólica.
Em que
danças,
cantos e
choros
recriavam
uma
identidade
oficial.
Segundo
depoimentos
com
relação
a
comemoração
nesta
data,
diz o
seguinte:
“Os
pretos
só
tinham
um dia
livre,
oferta
do seu
sinhô,
durante
todo o
ano: era
o dia 26
de
dezembro.
Então
eles
juntaram
as duas
coisas:
a
homenagem
à Santa
e o dia
de
Natal”.
Festa de
São João
e São
Pedro -
Festividades
realizadas
entre os
dias 24
e 29 de
Junho,
de
tradição
açoriana
(Festa
Joaninas),
há mais
de dois
séculos
na
Armação
de
Itapocoroy,
a imagem
de São
João
Batista
é
venerada
na
Capela
de São
João
Batista,
construída
em 1759.
O
destaque
fica
para as
procissões
de São
João,
por
terra, e
de São
Pedro(padroeiro
dos
pescadores)
por mar,
encerrando
na
Capela
Centenária.
No
decorrer
das
festividades,
há
queima
de
fogueiras
e fogos,
apresentações
folclóricas,
shows e
gastronomia
típica.
Corpus
Christi
- Dia
santo,
de
celebração
do corpo
de
Cristo,
e
feriado
nacional.
Como
acontece
em
muitas
cidades
brasileiras,
no
Município
de
Penha,
ornamentam-se
as
faixas
centrais
da ruas
com
coloridas
figuras
da
liturgia
católica,
feitas
de
flores,
plantas,
serragem,
pó de
café ,
areia e
conchas
. Além
da sede
do
Município
também
ocorre
em
outras
localidades,
principalmente
em
Armação
do
Itapocoroy.
Festa de
Reis ou
Folia de
Reis, é
um auto
popular
natalino
de
evocação
da
visita
dos três
reis
magos ao
menino
Jesus,
com
apresentação
dramáticas
como o
Terno de
Reis e
boi-de-mamão
.Os
foliões
fazem
paradas
em casas
previamente
escolhidas,
para
cantorias,
em troca
de
comida e
bebida.
Festas
Juninas
- De
origem
açoriana
(festas
joaninas)
realizadas
no mês
de Junho
nos dias
consagrados
a Santo
Antônio(13),
São
João(24
e São
Pedro
(29).
Tem uma
motivação
totalmente
profana,
nestas
festas
ocorrem
manifestações
folclóricas
como
dança de
quadrilha,
pau de
fita e
casamento
caipira
entre
outras.
A
gastronomia
de
produtos
típicos
da época
de
inverno
como
pinhão,
aipim,
batata-doce,
amendoim,
e
bebidas
quentes
(quentão)
à base
de
cachaça
e ervas
aromáticas
é um dos
chamativos
destes
eventos.
Festa do
Divino
Espírito
Santo -
é o
evento
religioso
de maior
apelo
popular
no
Município
e região
circunvizinha.
Misto de
manifestação
religiosa
e
profana,
estabelecido
em
Portugal
pela
rainha
Isabel,
no
século
XIV.
Chegou
ao
Brasil
dois
séculos
depois,
especificamente
em
Parati
(RJ),
onde se
comemora
o Boi
Divino,
com
distribuição
de
comidas
aos
pobres.
Em
Penha, a
festa é
realizada
há mais
de 160
anos, em
que são
usados a
coroa e
cetro em
prata
lavrada
confeccionada
em 1837
e que
vieram
de
Portugal
no
século
XIX. O
ciclo do
Divino
Espírito
Santo
apresenta
etapas
bem
definidas:
novenas,
peditório,
cantorias,
missa e
festas:
bem como
símbolos:
bandeira
do
Divino,
coroa,
salva,
cetro,
corte,
festeiros,
empregados
de vela
de
bandeira
e de
vara,
cortejo
imperial,
coroação,
Imperador
ou
festeiro
que é
sorteado
a cada
ano
entre os
candidatos
a bancar
e
organizar
a
próxima
festa.
Uma
procissão
leva os
fiéis
até a
Igreja
Matriz,
onde o
Imperador
é
coroado
e a
festa
culmina
com uma
grande
refeição
para os
empregados,
convidados
do
Imperador.
É
realizada
de
acordo
com a
data de
Pentecostes
(maio a
junho.
Páscoa -
A
tradição
do
coelho e
dos ovos
de
Páscoa
no
Brasil
data do
início
do
Século.
Foi
trazida
em 1913,
por
imigrantes
alemães
. Os
ovos são
símbolos
pascais
inspirados
no
costume
chinês
de
colorir
ovos de
pata
para
celebrar
a vida
que
deles se
origina.
Países
europeus
fabricam
ovos de
chocolate,
na
Páscoa
desde
1834. O
coelho,
da mesma
época,
tem
origem
anglo-saxônica
e
simboliza
a
fertilidade.
Penha
por
estar
proximamente
ligada
aos
principais
focos da
imigração
alemã em
Santa
Catarina,
esta
festividade
foi
difundida
através
dos
primeiros
veranistas
que
freqüentaram
suas
praias
entre a
década
de 20 e
30,
oriundos
de
Blumenau
e
Joinville
.
Entre
outras
festas
religiosas
de menor
porte
que
ocorrem
com
freqüência
no
Município,
relacionamos
as
seguintes:
Festa de
São
Sebastião
em
Armação
do
Itapocoroy
e Santa
Lídia,
Festa do
Senhor
Bom
Jesus em
Morro do
Ouro,
Festa de
Santa
Lídia em
Santa
Lídia, ,
Festa de
São
Miguel
em
Gravatá
e Praia
de São
Miguel,
Festa de
São
Cristovão
em São
Cristóvão,
Festa de
São
Nicolau
em São
Nicolau
e a
Festa de
Nossa
Senhora
Aparecida
na Praia
de
Armação.
FOLGUEDOS
Festejos
em que
predomina
o
espírito
lúdico.
Embora
latente
em
muitos
casos, a
religiosidade
não
prevalece.
Farra do
Boi -
tauromaquia
catarinense:
uma
herança
cultural
açoriana.
Os
antigos
chamavam
de
“brincadeira
de boi
bravo”,
“boi-do-campo”
ou
“boi-na-vara”.
Nos
últimos
30 anos
tornou-se
conhecida
como
“farra
do boi”.
A farra
do boi
na Penha
é
realizada
atualmente
em uma
época
especial,
vários
dias que
antecedem
a
Páscoa,
variando
em
outras
localidades
também
na época
de Natal
e Dia
Santo.
Nestas
ocasiões,
grupos
de
famílias
compravam
e
carneavam
um boi
escolhido
por ser
“bom de
carne.
Se o
animal
era
“bravo,
arisco e
corredor”,
antes de
ser
abatido,
era
brincado
na vara
ou solto
nos
pastos,
provocando
correrias
generalizadas.
A farra
vem
sendo
praticada
de
geração
em
geração
há pelo
menos
230 anos
e
constitui
um dos
elementos
ativos
da
identidade
cultural
das
comunidades
litorâneas
de Santa
Catarina.
As
tentativas
de
proibição
não são
de hoje.
É
preciso
ressaltar
o
passado
“criminoso”
e o
caráter
de
resistência
da
festa.
Em 1567
as
tauromaquias
na Ilha
Terceira
no
Açores
foram
proibidas
formalmente
pelo
Papa Pio
V, sob
alegação
de
‘feitiçaria
dionisíaca”.
No
século
passado,
em Santa
Catarina,
a
alegação
das
autoridades
se
referia
ao
“alvoroço”
nas
ruas, ou
à
formação
de
“ajuntamentos
ilícitos”
“desordem”
e
“arruaça”.
Em 1948
a
Secretaria
de
Segurança
Pública
de Santa
Catarina
baixou
portaria
proibindo
o
trânsito
do “boi
de mamão
ou
quaisquer
grupos
dessa
categoria”
na época
do
carnaval,
sob a
mesma
alegação.
E o
recente
julgamento
do
Supremo
Tribunal
Federal,
onde
proibiu
a
realização
da farra
do boi
em todo
território
Nacional,
tem
mobilizado
lideranças
comunitárias,
farristas
e
autoridades
municipais,
no
sentido
de
regulamentar,
através
de lei ,
as
condições
de
realização
da
festa.
Há
alguns
anos ,
no
Município
de Penha
a Farra
do Boi é
realizada
em
mangueirões,
em que o
boi é
mais uma
das
atrações
da
festa,
junto
com
shows
artísticos
,
concursos
e
gastronomia
típica.
Boi-de-Mamão
- versão
no
litoral
catarinense
do
Bumba-meu-boi
original
do
Nordeste.
O
folguedo
do
Boi-de-mamão,
no
folclore
catarinense,
é uma
das
brincadeiras
de maior
atração
popular.
Antigamente
o
folguedo
do Boi
era
conhecido
como
bumba-meu-boi,
depois
boi-de-pano,
mas
ocorre
que, com
a pressa
de se
fazer a
cabeça,
foi
usado um
mamão
verde, e
quando
foi
apresentado
recebeu
o nome
de
Boi-de-mamão.
Nome
este
mantido
até a
época
atual,
onde se
vêem
bois com
cabeças
de todos
os
tipos,
até
mesmo de
boi,
menos de
mamão.
Contam
que as
danças
de Bois
de
antigamente
eram
mais
bonitas,
mais
ricas em
apresentações,
eram
verdadeiras
festas,
pois
antecediam
os
folguedos
do Boi
as
danças
dos
Arcos e
o
pau-de-fita,
do
cupido.
Trata-se
de uma
representação
em torno
da vida,
morte e
ressurreição
do boi.
São
personagens
humanas,
animais
e
fantásticas.
A
Maricota
e a
Bernúncia,
com a
sua
dança
característica,
são de
introdução
dos
últimos
cinqüenta
anos. Em
geral,
só se
tocam
instrumentos
de corda
como o
violão,
acompanhados
de
zabumba,
ganzá e
pandeiro.
O
público
forma
uma roda
que abre
e fecha
em torno
dos
intérpretes,
antigamente
era
comum
acontecerem
em
salões
ou casas
colocadas
a
disposição
pelo
proprietário.
No
Município
de
Penha,
nos
últimos
anos um
grupo de
entusiastas
vem
representando
com
freqüência
este
folguedo
na
cidade e
outras
do
Estado .
O
boi-de-mamão
na Penha
é
composto
do boi,
vovô,
vovó
(Maricota
ou
Tiroleza),
cavalinho,
onça,
tigre,
barão,
Bernúcia,
médico,
bêbado e
o
mestre.
Entre
outros
folguedos
que
ocorrem
no
Município
relacionamos
Mastro
de São
Sebastião,
Malhação
de Judas
e Dia da
Baderna
(Sexta-feira
Santa) .
DANÇAS
Chamarrita
- É uma
moda
muito
alegre e
rapidinha,
tipo um
valseado
na ponta
dos pés.
Alguns
pares
dançavam
com mais
elegância
outros
não.
Quando a
chamarrita
era
cantada
e tocada
ninguém
ficava
no
banco,
os pares
logo se
cruzavam.
Fazia-se
uma roda
, cada
par
ficava
de
frente
um para
outro e
a roda
girava.,
dançando
com o
traçado,
até
chegar
no par,
todos de
braço
para
cima.
Polca da
Flor -
Dança
bem
antiga,
com
poucos
dados de
resgate,
dizem
que
acontecia
com sete
casais
ao som
de
rabecas
e dos
violões
e as
quadras
são
semelhantes
a
ratoeira.
Fandango
de São
Gonçalo
- é uma
dança
composta
por
vários
casais
em uma
fila em
frente a
um móvel
onde
encontra-se
uma
imagem
de São
Gonçalo
e um
copo de
bebida,
geralmente
cachaça,
os
casais
ao
ficarem
em
frente a
imagem,
beijam e
reverenciam
a mesma,
dançam,
fazem
pedidos,
bebericam
a bebida
e
colocam
uma
ajuda em
dinheiro.
Dança da
Meia Lua
- parte
da
Rosário/Moçambique/Natal
do
Pretos
quando
festejado
na Penha
, de
coreografia
simples
e é era
executada
em
alguns
momentos
da
Festa.
Duas
alas que
iniciavam
e
terminavam
por
ordem do
Capitão.
Os
dançantes
da ala
direita
seguiam
pela
direita,
dando
passos e
fazendo
semicírculo;
os
dançantes
da
esquerda
executavam
os
mesmos
movimentos,
pela
esquerda.
Com as
duas
alas
realizando
as meias
luas,
adquirindo
liberdade,
no
tocante
aos
passos,
e indo,
à frente
do
cortejo
real,
abrindo
caminho
e depois
voltando
para
encontrar
o rei da
Festa.
Pau-de-fita-
Alguns
historiadores
afirmam
que esse
tipo de
dança
existia
na
América
antes de
seu
descobrimento,
e que os
índios
Maias
ainda o
incluem
em seus
costumes.
O
pau-de-fita
de
origem
portuguesa,
está
associada
à dança
dos
arcos de
flores e
á
jardineira.
É uma
apresentação
das mais
lindas
do nosso
folclore,
em
grupo,
pares de
oito a
doze,
por
damas e
cavalheiros
ou
crianças.
No
passado,
alguns
grupos,
na
dificuldade
de
arranjarem
moças,
por
razões
óbvias,
se
travestia,
apresentando-se
mascarados
ou com
as caras
pintadas.
CANTIGAS
Ratoeira
- A
ratoeira
antigamente
também
tinha
homens
na roda,
não era
só de
mulheres,
como se
apresenta
hoje.
Era
brincada
geralmente
nos
feriados,
aos
domingos
à tarde,
nas
festas ,
nas
reuniões
de
famílias.
Era uma
forma de
expressar
sentimentos
como
namoro,
amor,
saudade,
amizade,
tristeza,
raiva
através
de
cantorias
e
quadras.
Cantigas
de
Trabalho
- As
cantorias
que
embalavam
as
noites
ou as
madrugadas
quando
fazia-se
o
transporte
de
produtos
agrícolas
até o
seu
destino.
Os
carros
de boi
com o
seu
barulho
tradicional
como um
instrumento
musical
acompanhavam
as
cantigas,
talvez
para
espantar
o medo
do
condutor
e
acompanhantes,
ou para
conquistar
uma
pessoa.
Pesquisa
e Texto:
Evilésio
Pedro da
Costa –
Maio/98
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